{"id":192,"date":"2025-08-20T21:09:53","date_gmt":"2025-08-21T00:09:53","guid":{"rendered":"https:\/\/lagoin.art.br\/?p=192"},"modified":"2025-08-20T21:27:05","modified_gmt":"2025-08-21T00:27:05","slug":"alma-doente-2010-2017","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lagoin.art.br\/index.php\/2025\/08\/20\/alma-doente-2010-2017\/","title":{"rendered":"Alma Doente (2010-2017)"},"content":{"rendered":"\n<p>Era um dia de sol e Gumersindo, resolveu dar aquela passada na lot\u00e9rica para fazer sua \u201cfezinha\u201d. No seu caminho um guri roubou o bilhete que aproveitaria pra conferir, o garoto levara tamb\u00e9m todos os seus documentos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ora no in\u00edcio ficou inconformado pela perda dos documentos, mas qual foi sua surpresa quando ao chegar a lot\u00e9rica os seus n\u00fameros da sorte haviam sa\u00eddo no primeiro pr\u00eamio.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8216;Oh azar!! Pobre \u00e9 uma merda! Quando vai sair da dureza, acontece uma coisa dessas&#8217;, ficou furioso mesmo, de repente ele meio cat\u00f3lico, deixou escapar: &#8220;Eu daria minha&#8217;alma ao diabo pra encontrar aquele menino com o bilhete&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Promessa \u00e9 d\u00edvida &#8211; Falou um senhor a suas costas!<\/p>\n\n\n\n<p>Gumer, como era conhecido por ali, arrepiou-se todo e virou para ver de onde vinha a voz, qual foi sua surpresa ao se deparar com um antigo professor do col\u00e9gio.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Como \u00e9?<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Promessa \u00e9 d\u00edvida, olha ali o menino que roubou sua carteira.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Obrigado mesmo!<\/p>\n\n\n\n<p>Esqueceu at\u00e9 mesmo o que conversava e saiu em disparada atr\u00e1s do garoto, tudo aconteceu t\u00e3o r\u00e1pido, que nem deu para o garoto usufruir do fruto de seu il\u00edcito, tomou uns tapas e devolveu a carteira.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais que depressa Gumersindo voltou a lot\u00e9rica e foi conferir seu bilhete.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Batata!! Estou rico!!&#8217; Tirei a &#8220;sorte grande&#8221;!.<\/p>\n\n\n\n<p>Estranhamente o velho que apontou o garoto estava saindo do estabelecimento, virou-se e disse:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; At\u00e9 logo, Gumersindo.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele se arrepiou novamente, h\u00e1 tanto n\u00e3o o via e o chamou-me pelo nome. Mas ele estava t\u00e3o atordoado com o pr\u00eamio, j\u00e1 sonhando qual seria a primeira coisa a fazer que esqueceu o velho!<\/p>\n\n\n\n<p>Os dias e anos passaram e Gumersindo fez quest\u00e3o de esquecer da vida meio sofrida que tinha, mudou-se de cidade e fora morar em uma vila de casas finas, afinal tornara-se um endinheirado.<\/p>\n\n\n\n<p>Certo dia precisou de um jardineiro para cuidar da paisagem de sua mans\u00e3o, pois n\u00e3o estava contente com a apar\u00eancia da mesma, v\u00e1rios responderam ao an\u00fancio colocado pelo seu governante particular<\/p>\n\n\n\n<p>Do novo empregado Gumer mal sabia o nome, por\u00e9m vendo o fruto do seu trabalho ficou inquieto, em t\u00e3o pouco tempo a apar\u00eancia de sua mans\u00e3o mudara totalmente.<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 que um dia numa manh\u00e3 de s\u00e1bado ele trocou algumas palavras com seu jardineiro.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Bela manh\u00e3, n\u00e3o \u00e9? Disse Gumer.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; \u00c9 mesmo, tem feito um tempo bom para as plantas nos \u00faltimos dias, sol de manh\u00e3 e tempo fresco a tarde.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Posso te perguntar uma coisa ? Perguntou Gumer.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Claro ! Respondeu o jardineiro.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Tenho a impress\u00e3o que eu te conhe\u00e7o de outro lugar &#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Imposs\u00edvel ! Nossos mundos s\u00e3o bem diferentes, sou de origem humilde, certamente nunca nos encontramos.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Minha origem tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 sofisticada, tive uma onda de sorte que trouxe esta vida que tenho.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Desculpe falar senhor, mas penso que sorte n\u00e3o existe, o que existe s\u00e3o trocas. Trocamos uma coisa de valor por outra tamb\u00e9m de valor. Disse o simples jardineiro.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Como assim? Argumentou o Gumer.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Veja, eu troquei a possibilidade de uma vida abastada e de muito status, por todos os dias estar em jardim florido, as duas tem seu valor, &#8216;sorte&#8217; a minha ser jardineiro&#8230; Brincou seu Antonio.<\/p>\n\n\n\n<p>O tempo passou e Gumer mantinha-se acabrunhado com rela\u00e7\u00e3o ao seu Antonio, os jardins cada vez mais belos, sua mans\u00e3o cada vez mais linda e ele Gumer, cada vez mais triste.<\/p>\n\n\n\n<p>Pouco tempo depois de ver sua rotina modificada pelo dinheiro, ele passou a angariar tamb\u00e9m alguns problemas.<\/p>\n\n\n\n<p>Abandonara seu antigo trabalho e com toda a dinherama investida dedicou-se ao \u00f3cio.<\/p>\n\n\n\n<p>Sua esposa e seus filhos entraram em sociedade com a \u00d3cio S.A.<\/p>\n\n\n\n<p>Hermelinda dedicava-se as unhas e cabelos e as sacolas. Seus filhos apesar de estarem nas melhores escolas tinham muito pouco a apresentar de conte\u00fado.<\/p>\n\n\n\n<p>Muito tempo passou seus filhos cresceram, tornaram-se jovens vazios cheios de nada, sua esposa j\u00e1 n\u00e3o era sua esposa definitivamente, pois nem fisicamente dava pra reconhecer tamanha quantidade de altera\u00e7\u00f5es em sua pl\u00e1stica.<\/p>\n\n\n\n<p>Todo este \u00f3cio e gozo tem seu pre\u00e7o, agora Gumer j\u00e1 n\u00e3o era t\u00e3o rico, ele nunca foi bom pra lidar com dinheiro, nem quando era pouco, que dir\u00e1 no muito<\/p>\n\n\n\n<p>Entrou em algumas sociedades e perdera muito do seu capital.<\/p>\n\n\n\n<p>As coisas come\u00e7aram a sair do controle e sua vida come\u00e7ou a desmoronar, sua esposa muito bem relacionada, no \u2018high society\u2019 percebendo o barco \u00e0 deriva com enormes buracos em seu casco, pulou para outro barco bem abastado, arrumou um outro namorado rico e levou consigo seus filhos, que j\u00e1 estavam tamb\u00e9m descontentes pelo fato do pai n\u00e3o conseguir bancar suas proezas.<\/p>\n\n\n\n<p>E assim foi que ele foi se desfazendo de tudo, quando por fim passou ter uma pequena renda que lhe sobrara e uma casa simples, as grandes casas desapareceram, os suntuosos jardins foram trocados por uma \u00fanica roseira e algumas margaridas.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m somente uma condi\u00e7\u00e3o n\u00e3o mudou, seu jardineiro n\u00e3o o abandonara, a cada semana ia cuidar de sua roseira.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 bem envelhecido e bem doente, o jardineiro veio ao seu leito, ele j\u00e1 n\u00e3o pagava seu Antonio havia muito tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Que sorte a minha! Ironizou Gumer! Fazendo refer\u00eancia \u00e0quela conversa que tivera no passado com seu Antonio.<\/p>\n\n\n\n<p>-Realmente, tirou a sorte grande! Brincou seu Antonio com sorriso sarc\u00e1stico.<\/p>\n\n\n\n<p>-Quem \u00e9 voc\u00ea seu Antonio, que ainda depois de tudo ainda vem cuidar do meu jardim? Perguntou tossindo de forma fraca.<\/p>\n\n\n\n<p>-Quem te disse que cuido do seu jardim? Estou cuidando da minha sorte grande!<\/p>\n\n\n\n<p>-Como assim?<\/p>\n\n\n\n<p>-Da sua vida, voc\u00ea \u00e9 o \u00faltimo que venho buscar, sua mulher e filhos j\u00e1 s\u00e3o meus!<\/p>\n\n\n\n<p>Neste momento o rosto do seu Antonio se transfigurou, vira a face daquele professor na lot\u00e9rica e depois vira a figura mais diab\u00f3lica que sequer conseguiria imaginar.<\/p>\n\n\n\n<p>-Ent\u00e3o \u00e9 voc\u00ea!! Falou j\u00e1 de sobressalto e quase sem vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Pulara da cama suando, nem acreditava.<\/p>\n\n\n\n<p>-Que sonho! Pensou.<\/p>\n\n\n\n<p>Tomou seu banho e trocou-se, sua mulher fazia o caf\u00e9 e ele correu e abracou-a e disse:<\/p>\n\n\n\n<p>-Minha vida!<\/p>\n\n\n\n<p>Sua mulher ficou assustada e ia dizendo:<\/p>\n\n\n\n<p>-Daria tudo&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Foi ent\u00e3o que Gumer delicadamente pois sua m\u00e3o fechando sua boca e em seguida beijando-a disse:<\/p>\n\n\n\n<p>-Nem pense isso!<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Marcio Lago<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\"><strong>Imagem do post gerado por IA, s\u00f3 porque sou p\u00e9ssimo em artes gr\u00e1ficas!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Conto m\u00edstico sobre as promessas que muitas vezes podemos fazer e nem nos damos conta.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":195,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[80,75,72],"tags":[],"class_list":["post-192","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cronicas-e-contos","category-meus-textos-poesias-e-frases","category-textos-muito-loucos","post-preview"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/lagoin.art.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/192","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/lagoin.art.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/lagoin.art.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/lagoin.art.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/lagoin.art.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=192"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/lagoin.art.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/192\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":199,"href":"https:\/\/lagoin.art.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/192\/revisions\/199"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/lagoin.art.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/195"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/lagoin.art.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=192"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/lagoin.art.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=192"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/lagoin.art.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=192"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}