Categoria: Pensamentos

Silêncio!

Na cortina arranhada

Na meia dobrada

Nos pelos da gata

Cada pedaço do ‘em volta’

Me diz um pouco de tudo

E não entendo nada.

De tudo que me cerca sei muito pouco

Não do agora, mas do depois,

Do que vem e do que me espera.

Mas de que me vale querer saber

Se quem me poderia me falar é mudo.

Quando o silêncio fala mais que as palavras

Ouvir não é luxo.

As entrelinhas sempre mais completas

Para intuição que lê o não dito.

Palavras no ar, sentimentos no colo e

Ondas de calor do coração latente.

Ninguém pode falar daquilo que não sente

Tampouco pode sentir aquilo que não se sabe querer.

Amar é um dom gratuito para quem não sabe o preço.

Marcio Lago

Quando tudo parece errado é que está tudo certo!

Há momentos de nossas vidas, acho que todos, ou a maioria já deve ter passado, momentos longos ou curtos, em que parece que tudo em nossa vida não está bom, ou não está justo ou não está correto.

É um ciclo meio “espiralesco” que quanto mais pensamos nele, pior fica.

Às vezes demora a passar.

Pelo menos para mim, a única forma de inverter a espiral é retornar a cada ponto que incomoda, e assim avaliar os porquês.

Não fico surpreso ao notar que parte dos motivos, são decisões minhas, que à época julguei procedente, ou a fatos em que eu não tinha o menor controle.

Fazer simplesmente comparações com situação de nossos semelhantes, é uma coisa muito injusta com a gente mesmo, pois se estamos tentando descobrir os motivos do nosso próprio estado, imagina tentar explorar o motivo do outro. Esta armadilha psicológica, ou nos deprime mais ao nos considerarmos privilegiados com quem está “aparentemente” pior, ou incapazes com quem está “aparentemente” melhor.

Neste mundo “instagramável” ou “linkeditável” e com IA colocando palavras em nossa mente e boca, esta situação só se torna mais delicada, pois são milhares, ou milhões que estão na mesma situação buscando aparentar estar bem, então os fatores de comparação injustas são exponenciais.

Quase sempre comigo funciona, pelo menos quase sempre funcionou, aproximar de quem é próximo de nós, nossa família, nossos filhos, nosso trabalho e buscar ver que todos são resultados de sementes por nós plantadas e cuidadosamente cultivadas. Isto tem muito valor, pois as coisas em quase 100% das vezes estão onde fizemos para estar, e que grande parte das situações de uma forma inteligível ou não, consciente ou inconsciente, foram trabalhadas por nós, pelo destino ou por Deus!

Marcio Lago.

A (Des) Humanidade e a escravidão

Escravo Reprodutor

Hoje depois de ver algumas reportagens na TV, alguns posts no meu insuportável perfil privado, não tem jeito, sempre posto os absurdos que vemos no mundo político, onde claramente há uma classe política que ignora totalmente pautas sociais para defender os próprios interesses impúrios.

Mas foi num post que apareceu no meu perfil LagoIn, sobre a história do João Antônio de Guaraciaba, um ex-escravo que em 1973 deu uma entrevista, à época tinha mais de 120 anos.

Em meus 56 anos, não sabia da informação, ou pelo menos não me lembro de ter ouvido. Este senhor na entrevista passa a sua história que mostra o lado mais cruel do ser humano, a escravidão. A distopia em que uma mesma raça pode tratar seus iguais como seres inferiores, inferior até mesmo a animais.

Na entrevista que pode ser vista no instagram no link https://www.instagram.com/reel/DOHFWsmjxdV/?igsh=czZ1aTdqeTNicGll também pode ver a uma narração gerada a partir de um texto da entrevista no link https://youtu.be/5VXIw8oWrYQ.

O mais impressionante da entrevista é naturalidade de como ele narra, sobre ele mesmo já nos tempos da Lei do Ventre Livre, os donos de escravos praticavam a Reprodução Involuntária, onde ele como “Puro Sangue”, muito bem alimentado e tratado, era o Reprodutor para conseguir gerar escravos de qualidade.

Ele narra como o sequestrado na “Síndrome de Estocolmo”, onde mesmo com todos os absurdos vividos consegue mostrar admiração pelos seus senhores.

Então quando nós vemos em nosso congresso, um esforço de uma parte de elite resistindo a votar pautas para melhoria da condição de trabalho, equilibrar a questão de impostos, onde o pobre paga na fonte e o cidadão que ganha milhões paga percentualmente menos que um professor público. A sensação que temos é que muito pouca coisa mudou, no pensamento pelo menos.

Este pensamento me remete o primeiro ‘post’ que eu vi no dia, de um dono de plantação revoltado com o “Bolsa Família”, pois os seus empregados não aceitavam mais R$ 30 de diária, que se fosse 20 dias trabalhados, totalizaria no máximo R$ 600,00 mensais. Sem ir no mérito da situação do produtor, o problema não era o efeito do “Bolsa Família”, mas sim o de o trabalhador possuir uma opção para não ter que se submeter à uma remuneração de R$ 30,00 para um trabalho de roça.

É isso, é uma reflexão num dia que eu não estava muito bem, mas conseguimos ainda ouvir histórias que achávamos que eram “enterradas”, mas na verdade é realidade ainda, infelizmente!

Marcio Lago

A relativização e a nossa saúde mental!!!

Escrito em Fevereiro de 2022, mas super atual, sem nada a tirar nem pôr.

Em meio a muito estudo e a ansiedade da busca por novas oportunidades de trabalho, acompanho diariamente da forma mais comedida possível tudo que posso, apesar de as vezes dar vontade de ir para o Himalaia e assim fortificar o espírito e dar um “foda-se” contundente e com toda a psseudossegurança de um pretenso monge.

Como tudo isto creio que não seja muito o caminho, vou lendo os posts das redes sociais de trabalho, vendo “posts” de gente muito mais fodida que eu, mas também daqueles que estão em seu “Show de Truman” temporário.

Ah! Também ando vendo muito (desligo o som) a infinidade de pessoas “bem-sucedidas”  em outra rede social mais “bombada” do momento, pessoas “ficando ricas” com cursos de qualquer coisa, não que o que ensinam deixarão os contratantes ricos, mas se colar colou…

Assim vamos levando os dias, vendo todas estas coisas, os jornais televisivos são os mais desafiadores para a nossa mente.

Eu fico pensando sobre os governantes, depois de morrerem uma ou duas centenas de pessoas onde a solução é um sobrevoo sobre os cadáveres soterrados, mesmo sabendo que tudo é muito conhecido, vão passando os dias e sabemos que todos eles nunca fizeram nada, certamente o cara que mora num morro ou na beira do córrego o faz porque quer, certamente poderiam estar em lugar melhor e optaram pela possível desgraça.

Diante de tudo isto a nossa mente tenta sempre relativizar, nossa natureza cristã ora e doa para os que estão em situação pior, assim nossa mente também tende a nos colocar em uma posição que parece que ainda estamos devendo, ou reclamando de “barriga cheia”, quando não, ela nos deixa como bosta para os que aparentemente estão em situação muito mais privilegiada que a nossa.

De verdade a nossa realidade diária é de uma relativização e briga mental incessante, onde as coisas boas, muitas vezes simples, são as que nos salvam e que nos colocam para cima, posso dizer que nossa família, nossos amores, os velhos amigos são de verdade o que importam, o restante é uma batalha insana da nossa mente pela nossa própria sanidade.

Marcio Lago

A imagem gerada por IA, só porque não sou nada bom em artes gráficas.

A “Arte” da Guerra!

Não é o que você pensou, nenhuma filosofia, nenhuma inspiração. Somente um protesto com que testemunhamos diariamente. Coisa antiga da humanidade que nada de humano tem.

Pincei este pensamento de Galeano do Livro Vila dos Poetas, de Natanael Croneberguer.

Nada que justifique a indecência agora vista ao vivo e a cores, e “online”. Antes tinha-se a vergonha da mentira, hoje a mentira é descoberta, sem disfarce, nada mais realista que este pensamento de Galeano.

Pura verdade, infelizmente!

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