“Escravo Reprodutor“
Hoje depois de ver algumas reportagens na TV, alguns posts no meu insuportável perfil privado, não tem jeito, sempre posto os absurdos que vemos no mundo político, onde claramente há uma classe política que ignora totalmente pautas sociais para defender os próprios interesses impúrios.
Mas foi num post que apareceu no meu perfil LagoIn, sobre a história do João Antônio de Guaraciaba, um ex-escravo que em 1973 deu uma entrevista, à época tinha mais de 120 anos.
Em meus 56 anos, não sabia da informação, ou pelo menos não me lembro de ter ouvido. Este senhor na entrevista passa a sua história que mostra o lado mais cruel do ser humano, a escravidão. A distopia em que uma mesma raça pode tratar seus iguais como seres inferiores, inferior até mesmo a animais.
Na entrevista que pode ser vista no instagram no link https://www.instagram.com/reel/DOHFWsmjxdV/?igsh=czZ1aTdqeTNicGll também pode ver a uma narração gerada a partir de um texto da entrevista no link https://youtu.be/5VXIw8oWrYQ.
O mais impressionante da entrevista é naturalidade de como ele narra, sobre ele mesmo já nos tempos da Lei do Ventre Livre, os donos de escravos praticavam a Reprodução Involuntária, onde ele como “Puro Sangue”, muito bem alimentado e tratado, era o Reprodutor para conseguir gerar escravos de qualidade.
Ele narra como o sequestrado na “Síndrome de Estocolmo”, onde mesmo com todos os absurdos vividos consegue mostrar admiração pelos seus senhores.
Então quando nós vemos em nosso congresso, um esforço de uma parte de elite resistindo a votar pautas para melhoria da condição de trabalho, equilibrar a questão de impostos, onde o pobre paga na fonte e o cidadão que ganha milhões paga percentualmente menos que um professor público. A sensação que temos é que muito pouca coisa mudou, no pensamento pelo menos.
Este pensamento me remete o primeiro ‘post’ que eu vi no dia, de um dono de plantação revoltado com o “Bolsa Família”, pois os seus empregados não aceitavam mais R$ 30 de diária, que se fosse 20 dias trabalhados, totalizaria no máximo R$ 600,00 mensais. Sem ir no mérito da situação do produtor, o problema não era o efeito do “Bolsa Família”, mas sim o de o trabalhador possuir uma opção para não ter que se submeter à uma remuneração de R$ 30,00 para um trabalho de roça.
É isso, é uma reflexão num dia que eu não estava muito bem, mas conseguimos ainda ouvir histórias que achávamos que eram “enterradas”, mas na verdade é realidade ainda, infelizmente!
Marcio Lago
